sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Casulo

Sem ar
Respiro o sentimento do mundo
Sufocante poluição de intenções sujas
E assim sou

Delírios que antecedem desmaios
levam a lugares que só existem aqui
Dentro
No mais profundo "eu" escondido n' alma

Casulo onde vivo
leio
ouço
crio

Devo resistir às investidas contra estas fronteiras
Aceitar o caminhar por este mundo sem cura

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Roteirista

O momento que vivo
sigo
derrotando a câimbra que me assola
as pernas tortas
os pés virados
que se acostumaram a andar pra trás

o que sei que fui
somou, subtraiu, multiplicou e dividiu
meu ser hoje

memórias torpes
lágrimas e sorrisos crus
frios
vazios de tanta imaginação tida
não vivida

leio em meus dedos dor
cura
certeza de assumir a escrita de meu roteiro

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Adeus

Cuidado!
Com a força na navalha.
Fio da palavra dita,
Corte da angústia;
Tão pesado vira raiva,
Fere a alma,
Fecha a porta.

A dor de se ver idiota,
A raiva que é só de si próprio.
De tanta insistência inútil
Em apegar-se a planos.

Sumir é pouco.
Minha despedida é: Adeus

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Viver

Viver

Essa alternativa, dádiva, nos foi dada

Em troca de algo?
Talvez não tenhamos que pensar nisso
Por que/quem nos foi dada?
Acredito, por vezes, que sequer saberemos

Expectativas além dos próximos segundos podem ser fatais.

Sempre se tratou de escolhas
Antes e depois

Desejo a todos a sensibilidade em perceber
A beleza que há em momentos tristes.
Porque se assim o for,
Nunca faltará combustível para viver.
Inspiração para superar.

domingo, 30 de agosto de 2015

Remédio

Com tranquilidade e dever cumprido
Olho uma última vez para trás
Apenas certificando-me de que minha direção é em frente

E eu que nunca acreditei no tempo
Mal sabia o quanto me tornaria seu devoto
Vendo o efeito de seu remédio

Hoje sei o quanto a força de uma cicatriz
Supera a dor da fenda aberta

E a abate.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Do Amor

Amor é borboleta,
que voa no estomago e é estranho.

Amor é arrepio de frio, sem frio;
arrepio de música, sem música;
de carinho.

Amor é choro bobo
que vem dormir com agente.

Amor é aquele sorriso despercebido
que nos faz passar vergonha
e da na cara o sentimento.

Amor é aquele abraço no vento
quando sente saudade.

Amor é não conseguir fazer prova na escola.
Aliás, amor é não conseguir estudar pra prova.
Escutar na voz do professor, o chamado pr’um sonho acordado.

Amor é encontrar alguém em um livro que não tem personagem.
Lembrar daquela conversa, escutando música;
Ou escutar música, enquanto tem aquela conversa.

Amor é achar que é pássaro
E conseguir voar.
Amor é levitar, flutuar;
andar acima do chão.

Amor é aquela vontade estranha:
de morder enquanto beija;
de beijar enquanto morde.

Amor é ladrão de firmeza
que deixa vertigem e tremedeira.

Amor é ver tudo lindo,
porque tudo é lindo mesmo!

Amor espera: ser amado.

sábado, 27 de junho de 2015

Personalidades Vãs

Prefiro a faca que me atravessa o peito mil vezes ao dia
A conviver com essa ideia de que apenas errei

Resumir-nos a isso?

Injustiças com o que fomos um dia nos perseguirão daqui à morte
Se escolhermos o vazio

Ah! A beleza do não ser!
Ao menos se existisse tal coisa.

Apenas para os momentos de necessidade que fosse