segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Cotidiano (para ralph antunes)

Esquerda direita
Direita esquerda
Esquerda direita
Direita esquerda.


Anda pára pula volta vira
Sai e entra
E entra e sai
E sai e entra
Entra e sai.


Come cospe engole vomita
Bebe arrota tosse sopra.


Seria isso um poema sobre seu cotidiano?

http://www.youtube.com/watch?v=r0SCIJVfQu0

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Os Poetas Podres (para ana f.)

Escrevo os versos do mundo
Que criei.
Universo verde
De ornitorrincos podres.
Poesias doces
Sentimento adstringente.
Entrevejo acordes num momento
Verei, enfim
Que sei
Dos dias que passei
Girassóis que te dou
Madrugadas cobro
Jamais
Em uma cidade pequena
Qualquer que quase nasce
Pequena é
Só não se sabe assim.
Gigantes semeando tamarindeiras
E casas acima do céu.
Só a poesia aduba
Essa respiração orgânica
Plantação e frutos
De abraços e beijos chuvosos.
Escrevo que sei
O verso do mundo
Furo na pleura do texto
Água na calha
Chove barulho no grande do ouvido
Nuvens embaçam óculos
Digo que sei
Mas nem sede
Só sangue dos olhos
Nos brotam
Secam
Mas molham o que somos.
O que juntos,
Se somos,
Não ser nos deixa talvez
Tão mais à vontade.


Arthur Parreiras e Marcos Assis (entre um gole e outro) 02/11/2010





Não deixe suas poesias para as traças.

domingo, 7 de novembro de 2010

Decepção

Esperar demais do outro
É triste e ilude a alma.

O choro é inevitável
Quando se tem como ídolo
Qualquer um que seja.

Hoje vejo o erro,
Percebo que jamais
Deveria ter idealizado alguém
Como exemplo de vida.

Não dar tanta importância a qualquer palavra,
É sempre menos dolorido.
Mais indolor,
Incolor;

Mas às vezes,
Deve-se não ter cor mesmo.
Tem horas que o mundo
Deve ser cinza
E os sentimentos devem ser insensíveis

Pra não mais
Decepcionar-se.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ódio

Ódio do medo que tive
Que me tem;
Do tempo que não volta
Nem uma vez e muito menos duas;
Das tardes póstumas que foram vazias;
Dos caminhos percorridos
Sem o elo manual.

Ódio de sentido que fui
Sem sentir que queria ter;
Do tamanho do mundo gigante
E de maiores serem os sentimentos.

Ódio de ter que morrer
Pra saber que vivia;
De ter que arrepender
Pra saber o que queria.

Ódio do chão que me fugiu aos pés
E da queda no abismo da insegurança.

Ódio do medo que tive
Que me teve
Que me tem;
Do amor que destruí
Pra saber que existia.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Chuvoso

É da chuva o cheiro
Terra molhada
E o sabor de raiz
No vento que anuncia o choro do céu.

O dia enoitece precoce
E as nuvens carregadas
Com canções de ninar qualquer marmanjo.

Da pipoca ao edredom e "Sessão da Tarde",
Mas lá fora passarinho foge,
Espera o barro que vai ser morada.
Siririca dorme,
Pra depois perder a asa
De tanto beijar luz
E acabar sendo formiga.

Santo mormaço que sol vem trazer
Depois do balé das gotas
Sinfônica dos pingos.
Não fosse assim,
Sem mais flashes relampeais seria.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Aos Pássaros Não Escrevo

Aos pássaros não escrevo.
Não que não queira,
É que pouco os vejo livres.
Só engaiolados.

Aos pássaros não escrevo.
Da infância pouca memória tenho,
Daqueles que ainda voavam.

Aos pássaros não escrevo.
Não merecem minha escrita triste
Já que seu canto de núpcia
Se deprime na jaula que vivem.

Aos pássaros não escrevo.
Não que não consiga,
É que me faltam palavras.

Aos pássaros não escrevo.
Penso que merecem mais;
Mas protesto meu,
Hoje de pouco vale.

Aos pássaros não escrevo.
Tento entendê-los: Aflitos, acuados, com medo
Até mesmo de serem livres.

Aos pássaros não escrevo;
Nem às arapucas e queimadas,
Estilingues e espingardas,
Alçapões ou qualquer armadilha.

domingo, 10 de outubro de 2010

Sonho Meu

Nada que sei que sou bem
Tudo que sei que nem sou
Aquilo que jamais serei
Reflete o que eu tentei ser

Se tudo que jamais será
É nunca que nunca vai ser
E sabe que tem de existir
Porque nunca vou desistir

Sempre será o que não quis
Querer o que sempre não foi
Pensar que um dia seria
Fez ser pensamento que tem

Isso que imaginou
Real pra quem vê nunca foi
Só sente que sempre existiu
Quem sonhou o que nunca foi

- Nunca foi?
- Foi!

Só sabe que um dia existiu
Aquele que já se feriu
Se nunca o fez a si mesmo
Alguém ou a alguém o já fez

Chora porque ainda demora
Pensamento que não vai embora
Não sabe se sonha o que vive
Não sabe se vive o que sonha

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sentimenticídio

Eu vejo tudo escrito
Nos pregos que o faquir se deita
Encima das cabeças
De quem se ignora.
Com repulsa ao outro
E ojeriza ao mundo
Não se sabem nem se vêem,
Só se deprimem
Morrendo todo dia mais um pouco.

A esse cotidiano batizei suicídio:
Sentimenticídio.

- Sol?
- Lua?
- Estrelas?
- Isso existe ainda?

O que falta é desfibrilador
Pra que o coração do mundo
Volte a girar.
Não mais: fibrilado.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Índia

Os cabelos negros lisos
Postos sobre o ombro.
Sorriso simples que diminui o olho
E aumenta a bochecha.

A pele é cor de jambo
Das mais bonitas entre o branco e o mulato.

Como que dois rabiscos negros
Sobrancelhas finas acima dos olhos puxados
Pelo sorriso.
Íris de jabuticaba que se confunde com a pupila
Dá um brilho aos olhos que a luz refletem.

A marca da felicidade
Está na curva desenhada do nariz à boca.
E a natureza presente
No fundo dessa fotografia limpa.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ana Banana

Serra mata mato verde
Terra lama chuva cheiro
Em ti.

Verde-ser alado
Vem me enverdecer
Com esse amor de clorofila
Fotossíntese-me.

Aga-dois-ó-mais-cê-ó-dois
Floema entorpecido
Xilema alumiado
Sol!

Palíndromo que se diz:
Ana banana - flambada
Com canela

Tamarindo meu.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sonhou A Vida Que Tanto Queria (Amélie)

Falou pra ela do amor dele.
Contou a ele que ela o queria.
E se beijaram como se soubessem.

Viajou na foto que o mostraria.
Sentiu a imagem que tanto queria.
As malas fez e se libertou.

Correu na tinta que observava.
O olhar ao longe que o conturbava
E no copo d'água viu a quem amava.

Filmou o dia que o viu sorrir.
Mandou as cartas que tão esperadas
Bateram à porta de quem esperava.

Mudou a vida de quem não vivia.
Cantou o riso de quem não sorria.
Sonhou o mundo que não merecia.

Cansou da vida que nunca levava.
Saltou do quarto que a aprisionava
Beijou a boca que tanto a chamara.

Chegou por fim aonde queria
Pagou sem preço por todos que via.
Viveu feliz com alheia alegria,
Enfim.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Recém Nascido

De onde me vejo
Sei que não falta muito.
Sinto-me na terceira pessoa.
Meu corpo é casca
Que nasceu velha
E morrerá jovem.
Dentro dele já não me cabe.

Daqui de cima
Fica claro o tabuleiro,
As peças se movendo
Sem saber, perceber.
Não se sabem nem se conhecem.
Vejo as cascas vivas
Corpos
Mortos vivos.

Com meus pensamentos sou.
Aqui só os sinto.
Nesse velório intermitente
Esperamos que os defuntos se levantem.
Renunciem seus nomes;
Enfim, possam nascer.

De onde me vejo
Sei que não falta muito.
Porque aprendi a respirar.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Meu Amor é Cordel

O meu amor é cordel
Cantado gritado
Seu fogo encantado
Flagra no peito.

É chama inflama
Proclama poema
Comunga da carne
Da boca na cama.

O meu amor é cordel
Chupado rasgado
Seu fogo encantado
Flagra no coito.

Implora devora
O sexo agora
Aflora demora
Que quer ser pra sempre.

O meu amor é cordel
Sagrado pecado
Seu fogo encantado
Flagra em meu prazer.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Acróstico

Consumiu tanto que foi consumido
Admirável ser humano novo.
Sapiens-homo hetero-sapiens
Tais formas de amor não existem.
Insensatos muros de Berlim a serem destruídos
Garantindo dois pólos à desumanidade,
Onipotente mãe dos paradigmas fétidos.

É possível que se sinta?

Vida de filho órfão d'outro mundo.
Introspecção
Vulnerável
Estilo de vida
Radioativo

Aprendi muito divagando pelas travessas tetradimensionais.
Soube que os humanos não pulam em pula-pulas
Só as crianças podem.
Irrevogável dom
Mutação que precisa evoluir.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Domínio

Me dói o pensamento
Saber que alguém chora
Agora
Por ter matado alguém

A respiração acelera e o coração palpita
Pensamentos invadem o meu ser
E não sou mais

Esse instante poderia durar pra sempre
Silêncio profundo que me devora
De dentro pra fora
Quer me dominar

Quero ser dominado

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Envelhecido

Então é isso.
Você chega a um ponto em sua vida,
Onde percebe que muitos glorificam o que chamamos dor.

Para os que escrevem a vida como poesia:
Só resta o choro.
Ver que todos esses frutos de um único pensamento -
Talvez seja o meu, ou o seu -
Não passam de carne.

Para os que tocam a vida como música:
Não desistam de dar sentimento às almas;
Letras às melodias dos pássaros,
Aos sorrisos inventados da infância que um dia sucumbirá.

Para os que pintam a vida como tela:
Não se esqueçam do sol,
Das paisagens,
Das cores que existem e nem sabemos;
Mas vocês sabem!

Para aqueles que acordados sonham a vida,
Sonham que vivem:
Vivam!
Há urgência!
Fantasiem toda a felicidade em um devaneio louco que não saberão contar
E nem pensem em acordar.

Então é isso.
Você chega a um ponto em que rimas não são necessárias,
Tudo que você escreve são só conversas com seus pensamentos
E começa a fazer sentido.
Seus sentimentos são grandes demais,
Não cabem em um só ser.
A vontade de escrever grita como necessidade,
Mas é tão grande que suas mãos já não acompanham a mente.
Percebe-se estar velho em corpo jovem.

domingo, 25 de julho de 2010

Promessas

Cada instante de presença
Um pensamento errante me fere a mente.
Com os útlimos esforços tento evitar
Mas não consigo.

É masoquismo eu sei
A dor que não quero ter
Insiste em me ter pra si.

Penso que talvez seja tudo fruto dessa imaginação débil
Esse sentimento que nem sei se existe
Parece mais uma das minhas idealizações frustradas.
Tomara que seja: que não exista.

Mas é mais forte que eu,
As imagens de um futuro hipotético se projetam por trás da retina.
Desenho delicado dos lábios
Atraem esses olhos que são cegos a qualquer outra imagem.

Por que me flagelar com isso?
Se não é algo que pareça ser sentido.
Apenas sei que é
E que não deveria ser.

Essa aparência de que é tudo tão impossível e improvável
Faz-me tentar anular tais devaneios bobos.
Talvez seja o anseio de ter alguém por perto
Que seja real e mais igual.

Afasta de mim essa falta de reciprocidade.
Dá-me forças pra não mais quebrar
Promessas que já fiz a mim: Não sonhar mais.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Melodia



Mi

Si

Sol
Faz-se lá sol
Me sem nó vas nó tas
Tão sem que com
Mo vi do que nem sei
Sei se não
Dó não sei ti
Sem ti
Não é
Fá tô
Nem aí.

'Arthur Parreiras e Marcos Assis 29/05/2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Iluminado

- Ei! Boa tardi!
Disse o louco com um sotaque abaianado.
Alegria com ar de "ei todo mundo!"
Tamanha felicidade
Só pode vir de um amor que é grande demais.
Maior até que o ser.

Essa intimidade com tudo
Chega a parecer consequência
Da loucura intermitente.
Do mundo insano que esse ser,
o que conhece a alma,
Vive.

A segurança do sorriso é tanta
Que se espantam, alguns,
E preferem repelir pra fingir que
Não sentem inveja.

Com o sinal de positivo digo:
- Bom dia ser-humano-louco-esclarecido!
E penso nos conhecimentos do ser
A habitarem aquela mente.
Imploro comigo mesmo uma dose daquela felicidade irresponsável.
Desse sentimento doado sem pudor algum.
E me dói viver sem tal sorriso constante.

Talvez um dia eu também encontre a luz;
Conheça as almas do mundo.
- ?
- É! Do mundo mesmo!
Quem sabe até cumprimentar qualquer pedra que cruze meu caminho:
- Ei! Boa tarde!
Com sotaque mineiro.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Iris

Frio.
- Tá sentindo?
- O que?
- Frio porra!

É tanta água que me hipnotiza o barulho
Do beijo nas pedras.
O frio está que congela o silêncio das árvores,
E o falatório me faz dormir acordado.

Será alguém?
Nas árvores adiante...
Aquele bebê que vira olho,
Nariz,
Boca,
Tem alguém ali.

- O que você quer?
- Você............ acredita em Deus?
- Ele acredita em mim. Você acredita?
- Em Deus ou em você?
- Em mim. E em Deus.
- Acredito.

O bebê está se movendo
Dentro do olho que tudo está vendo.
Eu sinto,
Sei.
Agora eu entendo tudo.
Não sou um louco qualquer.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Mente Mente

Sem teto que me abrace
Danço banco que me sinto.
Cinto forca improvisada
No balanço do que minto.

- Mente?

A mente mente pra ser independente
E de bobo faz a gente que insiste e acredita.

Erudita palavra alada
Sufocada voa não.
Mergulhada em sentimento
Banca dança que é não.
Força cinto embaraçado
Nesse teto que balança.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Quem és Tu

Nasce planta
Brota seu
E
Meu sentimento nosso;
É sim
Meça ponto
Boto meu
Terno sentimento meu
Em si.

Nasça pronta
Tonta
Fonte, fronte
Ponte e
Aponte para aquele
Que és tu
E eu não sei.


'Arthur Parreiras e Marcos Assis 29/05/2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Conversa pra Doid’ Ouvi

Já são sete anos de guerra ao lado do leão.
O sol sempre bate mais, cada dia mais.
E a lua cada vez mais se aproxima, tentando entender o que eu falo com ela.
Eu acho que já estou curtido de mais!
Mas um dia ainda vou ser mais "da antiga" ainda e o respeito só cresce.
A guerra entre o exército nu e o muro dos paradigmas.
Sempre haverá!
É que agente pensa de mais,
Sente de mais,
Ri de mais,
Tudo é de mais.

As pausas são as melhores:
Simplesmente agente aceita que é assim,
Vai continuar sendo,
Só que nunca desistimos e voltamos pra batalha!
Firmes e fortes;
E peladões.

Nossa arma é o nosso canto.
Daríamos o coração pela vitória.

Sete anos de guerra e cada dia as batalhas ficam mais tensas.
Mas só o que acontece é mudar o meu cheiro.
Hoje eu sei que eu exalo paz.

p.s.: Salve os malucos do mundo!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Acompanhado

Essa respiração úmida no ombro.
Eu sei que é alguém.
Que não vejo quem.
Por não olhar pro lado,
Ou por não querer saber.
Não precisar talvez.
Mas acho que já até sei,
Só preciso enxergar mais.
Pensar menos
E sentir mais ainda.

Pensamentos involuntários,
Sei que não são meus.
São para mim eu sei.

Sentimentos físicos desse imaginário irreal,
Ou é só real de mais pra acreditar?

Não são os olhos abertos que me farão ver,
Já que não são os ouvidos que me fazem escutar.
Mas é que o coração acelera;
Algumas vezes até me tira a atenção.
O peito pula forte quando eu sinto perto.
É tanta segurança que dá medo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Apelo

50 jardas campo de batalha pensamento a dentro.
Armas e munições.
Descarregam os pentes um a um contra paredes blindadas de sentimento errante.
Tiro n'água.

Estou farto de as pessoas destruírem umas às outras.
Esses elogios às condutas destrutivas eu repudio.

Crianças nuas correndo deveriam se abraçar
E serem felizes.
Não mais cheiro de Napalm - por favor.

Armas de destruição social em massa nas palavras das pessoas.
Vocábulos explosivos agressivos mutiladores.
Exterminadores.
Metralhadoras ambulantes contra inocentes que só querem tentar viver.

Semeadores de almas podres
Frutos podres
Pensamentos fétidos.

É melhor começarem a pensar no recomeço.

Não quero deixar de acreditar nas pessoas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sonho que Sonhei Sonhado

Sobre os dias que não vivi,
Penso ter sonhado tudo.
E sinto muito;

Um dia, terei como professor na faculdade
Aquele amigo do primeiro período que não se lembrará de mim.

Saudades daqueles tempos de violão e risos - penso.

A nossa mesinha cativa
Atrás da lanchonete:
Cafezinho e pães-de-queijo...

Vínculos familiares,
Cordão umbilical que eu sentia.
Cortado.

Eu era apenas um pássaro
Que foi solto de sua gaiola.
E teve medo de voar.
Voltou para a gaiola
Pra sonhar o que não foi.

Sonho que sonhou sonhado.

Poema sem fim.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Amor Perfeito

Duas partes, da mesma coisa.
São diferentes e não se sabem.
Se encontram sempre;
Sem pudor algum se tocam.
Por todo o corpo;
E criam.
Se amam.
Não conseguem mais parar de se tocar
Até que chegue seu fim.


O amor perfeito do preto no branco
(ou o contrario).
A plenitude da intimidade.
Se conhecem desde que se toquem - desde que se toquem.
Deixando marcas mortais,
Imortalizam os filhos desse amor.


Lápis e Papel.


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pássaros

O que os pássaros falam?
Som que para muitos é tão igual,
Mas não é!
Qual significado daqueles sons que emitem o dia todo?
Ouvi dizer que cada grande grupo,
Tem seu espírito;
Cada um em um plano.
Até mesmo as pedras:
Imagine o pensamento de uma rocha durante todo o tempo até se dissipar no ar como grão de areia que será vento, nuvem, chuva, barro, terra, planta, flor, fruto, homem, semente, pássaro...

"As formigas movem o mundo."
E quando uma morre, o mundo para.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Cordel do Fogo que não Apaga

A zabumba zunindo
E o berimbal estrala no peito do sabiá que canta.
GRITA!
O Cordel não tem domínio.
Tem poder,
Que é do Povo.
Não tem dono.
É de todos os anjos caídos nesse terreiro de samba,
Terra seca, que vai molhar
Ao cair das lágrimas de quem acompanhou, viveu e sentiu:
O empurrão, na alma, dessa oração forte
De Fogo Encantado
Que não apaga nunca!

p.s.: verdadeiramente triste.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um Lugar Chamado Lucidez

Meu diário de bordo não está nem na metade.
Tantos lugares inexplorados em meus pensamentos,
Que nem sei se o completarei algum dia.
Mas de todos que já estive,
Com certeza o mais louco
É um lugar chamado Lucidez.
Inabitado.
Só encontrei nômades por lá.
Ciganos loucos que o perambularam por segundos.
Bichos-grilos procurando Wood Stock.
Lugar distante da literatura beatnick,
Onde Kerouac convesou com Casteñeda.
Mas nunca quiseram construir casa por lá.
Penso que seja porque o solo é muito debilitado,
São vários os deslizamentos, deslizes, erosões, depressões
que acontecem lá: diariamente.
Com certeza Huxley um dia esteve lá também,
Mas não encontrou nenhuma porta.
Por aquelas bandas, nunca houve nenhum louco o bastante
Que assumisse o posto de rei.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Green

No tempo da flauta encantada,
Eu era fauno que tocava bem.
Nunca fui nada além de imaginário.
Meu nome é Green.

domingo, 4 de abril de 2010

Clave Morta

“Seus meninos já são homens”
Sensação de velho – ser velho.
Me tiraram o sentir.
Doeu.

A gaita chora sem violão que a acompanhe.
Solitária e fria.
Instrumento triste,
Que toca nos becos à noite – com os mendigos;
Nas cadeias dos filmes.

Chora um blues arrepiado,
Passa seco na garganta
E não consegue voltar pra casa.

- Socorro! Não há base que entone meu solo.

Essa clave assassinada
Implora por ressurreição
Em dia de páscoa.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Hemorragia

As luzes bailavam
Ou brigavam.

Sensação de floresta.

Espelho vivo, nas águas.
Animais irracionais,
Racionando sentimentos que pensam ter.

"É proibido dar mole"
E me soca o estômago a vontade de não ser.

Fumaça branca entorpecida
Queima meu pensamento - até a última ponta.

E queima os dedos;
E queima os lábios.

Sangue carbonizado que se esvai:
Do pulso atado.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Fotografia

Atrás de um olhar pueril
Está escondida a inocência
Que aos poucos se esvai.

Todas as palavras desenhadas
Não passam de rabiscos
E sentimentos que não existem
Fora da cabeça de uma criança.

Tudo se resume em fotografia.
Aquela cantiga de ninar já não faz efeito.

Quero o abraço do meu cobertor de estimação,
A mamadeira que joguei fora,
E as lembranças que se foram com eles.

Tantos riscos azuis já foram nuvens.

Passarinhos imaginários.

Enquanto as lembranças se apagam,
Sei que me faltou um caderno para anotar sonhos.
Esqueço-me do que sou.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Companhia (para marcos assis)

Caminhava só.
Acompanhado apenas dos pensamentos,
Que respondiam todas as perguntas.

Não havia mais ninguém.
Somente Corpos.
Vi-ven-do;
Sem querer – sem saber.

A certeza de que é assim –
E sempre será –,
É uma verdade egoísta – mas é a única.

Companheiros são sombras.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Só.Mente

Só por hoje:

Me afogarei em piscinas de algodão.
Beberei o vento,
Até que minha bexiga estoure.
Comerei meus pensamentos - tentando digeri-los -
E terei indigestão.
Ascenderei todo meu sangue
Em busca de um trago profundo - que me sufoque.
Desenharei em um guardanapo qualquer: um cérebro substituto.

O que pensar sobre o que escrevo?
Talvez seja assim mesmo: eu sou só isso - só.
Se for assim que seja:
O que já é só.mente.

Entre um rim e outro,
Me sinto cada vez mais leve.


Escarro meu coração que pulsa - .............

Fora...............................................................
.........................................................de..........
...........................compasso........................... -

Em minha mão.
Esse suor que me arde os olhos
Não é meu.
A saliva que meu pulmão respira:
Me deixa engasgado.
Tosse.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Da última caixa

Dentro da menor caixa,
Dentro de todas as outras maiores.
Lá está a resposta.
Surpresas já me cansam.
Odeio esse joguinho de abrir presentes - dentro de presentes.
Caixas e mais caixas,
Que nunca acabam.
E pra piorar sempre tem papel picado entre uma e outra.
Isso me causa uma náusea enfurecida.
Vômito de liberdade.
Sai tudo, até as vísceras impuras,
Ensangüentadas,
Fétidas;
Inúteis.
Quero minha casa.
Minha cama.
Meus livros!
E aquela poltrona que nunca tive.
-Por favor, apague a luz! Vou ler agora.
As lentes dos meus óculos estão invertidas.
O lápis já não tem ponta.
A música começou em seu fim - meu fim.
A inércia dessa reticência infinita.
Cambalhotas.
Acrobacias ousadas...
Gravidade zero.
Todo mundo voando - menos aqueles que cortaram suas asas.
A porta se abriu,
Mas no fim do corredor tem outra.
- O banheiro é a segunda à esquerda.
Droga!, papel higiênico acabou.
Sem lápis, sem papel...
Liga o chuveiro e escreve com o dedo no espelho embaçado:
Não sei você,
Mas tenho uma sensação de estar sendo sonhado.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Viagem Coletiva

Uma guitarra que canta.
Cada fresta da música,
Era completada por seis cordas,
Duas mãos...
E uma viagem coletiva.
O irreal perseguia todos os pensamentos.
Vontade de perguntar:
- Você está vendo isso?
Ninguém poderia responder.
Tudo pode ter sido apenas:
Mais uma conversa telepática alucinógena.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Caleidoscópio da Vida


Gira o caleidoscópio da vida.
Os acontecimentos caem.
Pessoas aparecem.
Lugares mudam.
Sentimentos somem.
Para cada forma bonita,
Só resta ser guardada na memória.

Gira o caleidoscópio da vida,
Muitas vezes precipitadamente - na maioria das vezes.
E tudo muda:
Pessoas caem.
Lugares aparecem,
Sentimentos mudam.
Acontecimentos somem.
Para cada forma feia,
Almeja-se um giro... que não vem.

Gira o caleidoscópio da vida.
Pode ser seu último giro,
Mas se não for, um dia será.
Lembre-se de cada giro,
Espere ansiosamente cada novo giro.
No caleidoscópio da vida,
Há sempre coisas horríveis.
Mas há também coisas magníficas.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Alguém que nunca vi

O som de um violão que nunca conheci.
A voz sublime de alguém que não conheço.
Mas alguém conhece.
Conheceu.
Irá conhecer.
O ar fresco, puro: certeza de paz.
Excelsitude extraterrena.
Uma dose de natureza incalculável;
Respira, come, canta, sente, vive felicidade.
Em tudo que está presente,
Tudo que disse: a alegria.
Sonho feliz.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Coração de Brinquedo

Coração errante
Corre...
Bate acelerado.
A risada finda.
Sarcástica,
Seca...
Idiota.
As pernas cansadas,
Trêmulas
Já nem sabem aonde vão.
O corpo pesado - sem o peso da consciência -
Segue na constante inércia de um passo.
E passa...
Vento, instante, hora.
Passa a vez.
A cabeça rola,
Porque o pé chuta.
E só bate na trave.
Ruim de mira.
Coração de plástico
Para...
Já nem bate mais.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Embriaguez

A derrota de um dia ressaqueado.
Lembrar das brincadeiras de criança causa algum tipo de náusea.
A garganta seca: arranha;
E o amargo na boca.
O corpo treme.
Pede um banho de cachoeira - que não tem.
Bebi toda minha felicidade em um copo de rum,
Mas foi muito pouco.
Feliz ano velho amigos!