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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Viver

Viver

Essa alternativa, dádiva, nos foi dada

Em troca de algo?
Talvez não tenhamos que pensar nisso
Por que/quem nos foi dada?
Acredito, por vezes, que sequer saberemos

Expectativas além dos próximos segundos podem ser fatais.

Sempre se tratou de escolhas
Antes e depois

Desejo a todos a sensibilidade em perceber
A beleza que há em momentos tristes.
Porque se assim o for,
Nunca faltará combustível para viver.
Inspiração para superar.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Do Amor

Amor é borboleta,
que voa no estomago e é estranho.

Amor é arrepio de frio, sem frio;
arrepio de música, sem música;
de carinho.

Amor é choro bobo
que vem dormir com agente.

Amor é aquele sorriso despercebido
que nos faz passar vergonha
e da na cara o sentimento.

Amor é aquele abraço no vento
quando sente saudade.

Amor é não conseguir fazer prova na escola.
Aliás, amor é não conseguir estudar pra prova.
Escutar na voz do professor, o chamado pr’um sonho acordado.

Amor é encontrar alguém em um livro que não tem personagem.
Lembrar daquela conversa, escutando música;
Ou escutar música, enquanto tem aquela conversa.

Amor é achar que é pássaro
E conseguir voar.
Amor é levitar, flutuar;
andar acima do chão.

Amor é aquela vontade estranha:
de morder enquanto beija;
de beijar enquanto morde.

Amor é ladrão de firmeza
que deixa vertigem e tremedeira.

Amor é ver tudo lindo,
porque tudo é lindo mesmo!

Amor espera: ser amado.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Escrito em Você

Sou eu - !
Quem saio de mim,
Frente a você – que me retrata à tela,
E me vejo, cravar ao papel, tinta escrita a pena
Esta imagem – do céu e d’ aqui
4 vezes vista

Nos encontramos e nos sabemos bem

A nudez natural não deve nos incomodar – e nem pode!.
Essa dissipação entre ser humano e o tudo que nos torna
Sempre nos liberta.
Por isso não nos causa nada.
Já nem faz sentido tal a pureza:
Ser o ar!

Ah!, Quem me dera um dia...
Caminharia sem passos -
Eternamente e por ai.
Convicto e inebriado

Pelo que descobrirei.

sábado, 19 de julho de 2014

Amanhã sem mim e si

Raiz (sem)
Caule (sem)
Cerne (sem)
Seiva
Folha seca
Seca.
Seca!
Já não se fala em dança da chuva,
Oferendas, rituais, simpatias.
Não se benze, não se cose.
A venda no olho do mundo está tão apertada,
Há tanto tempo...
Pulsa, lateja, dói a nuca.
Só se vê o aperto seco tentando ter cor de luz
Na pálpebra fechada - colada.
Nem lágrima, nem riso.
Só o barulho surdo de oco no pulso.
Projeto de gente
Híbrido de larva e asno.
Submisso.
O orgulho e a vontade de tudo
Abduzidos
Alienados
Nem sequer caminham.
Transformaram o último lapso de saber em idioma próprio,
Cada um por si
E quem ainda tenta contato
É só mímico profissional.
Mutação cervical de três vértebras a mais
Tiraram o equilíbrio e só se vê o chão.
Espero que amanhã não seja assim.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Entre Um Ser E Outro

Dos olhos fechados mundo a fora
Alguns nunca se abriram
E enxergaram muito além.

Hoje não vejo nada
E nem um carro me atropela.
Parece que o tempo não vai mais passar;
Quero que passe!

As lembranças de outrora
Me esqueceram jogado ao limbo
Errante com meus pensamentos avulsos
E uma idéia de felicidade agonizante.

Entre um ser e outro,
Há muito mais do que se imagina
A ser aprendido.

Entre um ser e outro,
Há muito mais do que distância
A ser ignorado.

"Está decretado que os homens morrem uma só vez"
Será?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Cotidiano (para ralph antunes)

Esquerda direita
Direita esquerda
Esquerda direita
Direita esquerda.


Anda pára pula volta vira
Sai e entra
E entra e sai
E sai e entra
Entra e sai.


Come cospe engole vomita
Bebe arrota tosse sopra.


Seria isso um poema sobre seu cotidiano?

http://www.youtube.com/watch?v=r0SCIJVfQu0

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Os Poetas Podres (para ana f.)

Escrevo os versos do mundo
Que criei.
Universo verde
De ornitorrincos podres.
Poesias doces
Sentimento adstringente.
Entrevejo acordes num momento
Verei, enfim
Que sei
Dos dias que passei
Girassóis que te dou
Madrugadas cobro
Jamais
Em uma cidade pequena
Qualquer que quase nasce
Pequena é
Só não se sabe assim.
Gigantes semeando tamarindeiras
E casas acima do céu.
Só a poesia aduba
Essa respiração orgânica
Plantação e frutos
De abraços e beijos chuvosos.
Escrevo que sei
O verso do mundo
Furo na pleura do texto
Água na calha
Chove barulho no grande do ouvido
Nuvens embaçam óculos
Digo que sei
Mas nem sede
Só sangue dos olhos
Nos brotam
Secam
Mas molham o que somos.
O que juntos,
Se somos,
Não ser nos deixa talvez
Tão mais à vontade.


Arthur Parreiras e Marcos Assis (entre um gole e outro) 02/11/2010





Não deixe suas poesias para as traças.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Chuvoso

É da chuva o cheiro
Terra molhada
E o sabor de raiz
No vento que anuncia o choro do céu.

O dia enoitece precoce
E as nuvens carregadas
Com canções de ninar qualquer marmanjo.

Da pipoca ao edredom e "Sessão da Tarde",
Mas lá fora passarinho foge,
Espera o barro que vai ser morada.
Siririca dorme,
Pra depois perder a asa
De tanto beijar luz
E acabar sendo formiga.

Santo mormaço que sol vem trazer
Depois do balé das gotas
Sinfônica dos pingos.
Não fosse assim,
Sem mais flashes relampeais seria.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Aos Pássaros Não Escrevo

Aos pássaros não escrevo.
Não que não queira,
É que pouco os vejo livres.
Só engaiolados.

Aos pássaros não escrevo.
Da infância pouca memória tenho,
Daqueles que ainda voavam.

Aos pássaros não escrevo.
Não merecem minha escrita triste
Já que seu canto de núpcia
Se deprime na jaula que vivem.

Aos pássaros não escrevo.
Não que não consiga,
É que me faltam palavras.

Aos pássaros não escrevo.
Penso que merecem mais;
Mas protesto meu,
Hoje de pouco vale.

Aos pássaros não escrevo.
Tento entendê-los: Aflitos, acuados, com medo
Até mesmo de serem livres.

Aos pássaros não escrevo;
Nem às arapucas e queimadas,
Estilingues e espingardas,
Alçapões ou qualquer armadilha.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sentimenticídio

Eu vejo tudo escrito
Nos pregos que o faquir se deita
Encima das cabeças
De quem se ignora.
Com repulsa ao outro
E ojeriza ao mundo
Não se sabem nem se vêem,
Só se deprimem
Morrendo todo dia mais um pouco.

A esse cotidiano batizei suicídio:
Sentimenticídio.

- Sol?
- Lua?
- Estrelas?
- Isso existe ainda?

O que falta é desfibrilador
Pra que o coração do mundo
Volte a girar.
Não mais: fibrilado.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Índia

Os cabelos negros lisos
Postos sobre o ombro.
Sorriso simples que diminui o olho
E aumenta a bochecha.

A pele é cor de jambo
Das mais bonitas entre o branco e o mulato.

Como que dois rabiscos negros
Sobrancelhas finas acima dos olhos puxados
Pelo sorriso.
Íris de jabuticaba que se confunde com a pupila
Dá um brilho aos olhos que a luz refletem.

A marca da felicidade
Está na curva desenhada do nariz à boca.
E a natureza presente
No fundo dessa fotografia limpa.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ana Banana

Serra mata mato verde
Terra lama chuva cheiro
Em ti.

Verde-ser alado
Vem me enverdecer
Com esse amor de clorofila
Fotossíntese-me.

Aga-dois-ó-mais-cê-ó-dois
Floema entorpecido
Xilema alumiado
Sol!

Palíndromo que se diz:
Ana banana - flambada
Com canela

Tamarindo meu.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sonhou A Vida Que Tanto Queria (Amélie)

Falou pra ela do amor dele.
Contou a ele que ela o queria.
E se beijaram como se soubessem.

Viajou na foto que o mostraria.
Sentiu a imagem que tanto queria.
As malas fez e se libertou.

Correu na tinta que observava.
O olhar ao longe que o conturbava
E no copo d'água viu a quem amava.

Filmou o dia que o viu sorrir.
Mandou as cartas que tão esperadas
Bateram à porta de quem esperava.

Mudou a vida de quem não vivia.
Cantou o riso de quem não sorria.
Sonhou o mundo que não merecia.

Cansou da vida que nunca levava.
Saltou do quarto que a aprisionava
Beijou a boca que tanto a chamara.

Chegou por fim aonde queria
Pagou sem preço por todos que via.
Viveu feliz com alheia alegria,
Enfim.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Recém Nascido

De onde me vejo
Sei que não falta muito.
Sinto-me na terceira pessoa.
Meu corpo é casca
Que nasceu velha
E morrerá jovem.
Dentro dele já não me cabe.

Daqui de cima
Fica claro o tabuleiro,
As peças se movendo
Sem saber, perceber.
Não se sabem nem se conhecem.
Vejo as cascas vivas
Corpos
Mortos vivos.

Com meus pensamentos sou.
Aqui só os sinto.
Nesse velório intermitente
Esperamos que os defuntos se levantem.
Renunciem seus nomes;
Enfim, possam nascer.

De onde me vejo
Sei que não falta muito.
Porque aprendi a respirar.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Acróstico

Consumiu tanto que foi consumido
Admirável ser humano novo.
Sapiens-homo hetero-sapiens
Tais formas de amor não existem.
Insensatos muros de Berlim a serem destruídos
Garantindo dois pólos à desumanidade,
Onipotente mãe dos paradigmas fétidos.

É possível que se sinta?

Vida de filho órfão d'outro mundo.
Introspecção
Vulnerável
Estilo de vida
Radioativo

Aprendi muito divagando pelas travessas tetradimensionais.
Soube que os humanos não pulam em pula-pulas
Só as crianças podem.
Irrevogável dom
Mutação que precisa evoluir.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Domínio

Me dói o pensamento
Saber que alguém chora
Agora
Por ter matado alguém

A respiração acelera e o coração palpita
Pensamentos invadem o meu ser
E não sou mais

Esse instante poderia durar pra sempre
Silêncio profundo que me devora
De dentro pra fora
Quer me dominar

Quero ser dominado

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Envelhecido

Então é isso.
Você chega a um ponto em sua vida,
Onde percebe que muitos glorificam o que chamamos dor.

Para os que escrevem a vida como poesia:
Só resta o choro.
Ver que todos esses frutos de um único pensamento -
Talvez seja o meu, ou o seu -
Não passam de carne.

Para os que tocam a vida como música:
Não desistam de dar sentimento às almas;
Letras às melodias dos pássaros,
Aos sorrisos inventados da infância que um dia sucumbirá.

Para os que pintam a vida como tela:
Não se esqueçam do sol,
Das paisagens,
Das cores que existem e nem sabemos;
Mas vocês sabem!

Para aqueles que acordados sonham a vida,
Sonham que vivem:
Vivam!
Há urgência!
Fantasiem toda a felicidade em um devaneio louco que não saberão contar
E nem pensem em acordar.

Então é isso.
Você chega a um ponto em que rimas não são necessárias,
Tudo que você escreve são só conversas com seus pensamentos
E começa a fazer sentido.
Seus sentimentos são grandes demais,
Não cabem em um só ser.
A vontade de escrever grita como necessidade,
Mas é tão grande que suas mãos já não acompanham a mente.
Percebe-se estar velho em corpo jovem.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Iluminado

- Ei! Boa tardi!
Disse o louco com um sotaque abaianado.
Alegria com ar de "ei todo mundo!"
Tamanha felicidade
Só pode vir de um amor que é grande demais.
Maior até que o ser.

Essa intimidade com tudo
Chega a parecer consequência
Da loucura intermitente.
Do mundo insano que esse ser,
o que conhece a alma,
Vive.

A segurança do sorriso é tanta
Que se espantam, alguns,
E preferem repelir pra fingir que
Não sentem inveja.

Com o sinal de positivo digo:
- Bom dia ser-humano-louco-esclarecido!
E penso nos conhecimentos do ser
A habitarem aquela mente.
Imploro comigo mesmo uma dose daquela felicidade irresponsável.
Desse sentimento doado sem pudor algum.
E me dói viver sem tal sorriso constante.

Talvez um dia eu também encontre a luz;
Conheça as almas do mundo.
- ?
- É! Do mundo mesmo!
Quem sabe até cumprimentar qualquer pedra que cruze meu caminho:
- Ei! Boa tarde!
Com sotaque mineiro.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Apelo

50 jardas campo de batalha pensamento a dentro.
Armas e munições.
Descarregam os pentes um a um contra paredes blindadas de sentimento errante.
Tiro n'água.

Estou farto de as pessoas destruírem umas às outras.
Esses elogios às condutas destrutivas eu repudio.

Crianças nuas correndo deveriam se abraçar
E serem felizes.
Não mais cheiro de Napalm - por favor.

Armas de destruição social em massa nas palavras das pessoas.
Vocábulos explosivos agressivos mutiladores.
Exterminadores.
Metralhadoras ambulantes contra inocentes que só querem tentar viver.

Semeadores de almas podres
Frutos podres
Pensamentos fétidos.

É melhor começarem a pensar no recomeço.

Não quero deixar de acreditar nas pessoas.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Amor Perfeito

Duas partes, da mesma coisa.
São diferentes e não se sabem.
Se encontram sempre;
Sem pudor algum se tocam.
Por todo o corpo;
E criam.
Se amam.
Não conseguem mais parar de se tocar
Até que chegue seu fim.


O amor perfeito do preto no branco
(ou o contrario).
A plenitude da intimidade.
Se conhecem desde que se toquem - desde que se toquem.
Deixando marcas mortais,
Imortalizam os filhos desse amor.


Lápis e Papel.