quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Meu Amor é Cordel

O meu amor é cordel
Cantado gritado
Seu fogo encantado
Flagra no peito.

É chama inflama
Proclama poema
Comunga da carne
Da boca na cama.

O meu amor é cordel
Chupado rasgado
Seu fogo encantado
Flagra no coito.

Implora devora
O sexo agora
Aflora demora
Que quer ser pra sempre.

O meu amor é cordel
Sagrado pecado
Seu fogo encantado
Flagra em meu prazer.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Acróstico

Consumiu tanto que foi consumido
Admirável ser humano novo.
Sapiens-homo hetero-sapiens
Tais formas de amor não existem.
Insensatos muros de Berlim a serem destruídos
Garantindo dois pólos à desumanidade,
Onipotente mãe dos paradigmas fétidos.

É possível que se sinta?

Vida de filho órfão d'outro mundo.
Introspecção
Vulnerável
Estilo de vida
Radioativo

Aprendi muito divagando pelas travessas tetradimensionais.
Soube que os humanos não pulam em pula-pulas
Só as crianças podem.
Irrevogável dom
Mutação que precisa evoluir.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Domínio

Me dói o pensamento
Saber que alguém chora
Agora
Por ter matado alguém

A respiração acelera e o coração palpita
Pensamentos invadem o meu ser
E não sou mais

Esse instante poderia durar pra sempre
Silêncio profundo que me devora
De dentro pra fora
Quer me dominar

Quero ser dominado

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Envelhecido

Então é isso.
Você chega a um ponto em sua vida,
Onde percebe que muitos glorificam o que chamamos dor.

Para os que escrevem a vida como poesia:
Só resta o choro.
Ver que todos esses frutos de um único pensamento -
Talvez seja o meu, ou o seu -
Não passam de carne.

Para os que tocam a vida como música:
Não desistam de dar sentimento às almas;
Letras às melodias dos pássaros,
Aos sorrisos inventados da infância que um dia sucumbirá.

Para os que pintam a vida como tela:
Não se esqueçam do sol,
Das paisagens,
Das cores que existem e nem sabemos;
Mas vocês sabem!

Para aqueles que acordados sonham a vida,
Sonham que vivem:
Vivam!
Há urgência!
Fantasiem toda a felicidade em um devaneio louco que não saberão contar
E nem pensem em acordar.

Então é isso.
Você chega a um ponto em que rimas não são necessárias,
Tudo que você escreve são só conversas com seus pensamentos
E começa a fazer sentido.
Seus sentimentos são grandes demais,
Não cabem em um só ser.
A vontade de escrever grita como necessidade,
Mas é tão grande que suas mãos já não acompanham a mente.
Percebe-se estar velho em corpo jovem.

domingo, 25 de julho de 2010

Promessas

Cada instante de presença
Um pensamento errante me fere a mente.
Com os útlimos esforços tento evitar
Mas não consigo.

É masoquismo eu sei
A dor que não quero ter
Insiste em me ter pra si.

Penso que talvez seja tudo fruto dessa imaginação débil
Esse sentimento que nem sei se existe
Parece mais uma das minhas idealizações frustradas.
Tomara que seja: que não exista.

Mas é mais forte que eu,
As imagens de um futuro hipotético se projetam por trás da retina.
Desenho delicado dos lábios
Atraem esses olhos que são cegos a qualquer outra imagem.

Por que me flagelar com isso?
Se não é algo que pareça ser sentido.
Apenas sei que é
E que não deveria ser.

Essa aparência de que é tudo tão impossível e improvável
Faz-me tentar anular tais devaneios bobos.
Talvez seja o anseio de ter alguém por perto
Que seja real e mais igual.

Afasta de mim essa falta de reciprocidade.
Dá-me forças pra não mais quebrar
Promessas que já fiz a mim: Não sonhar mais.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Melodia

Dó
Ré
Mi
Fá
Si
Lá
Sol
Faz-se lá sol
Me sem nó vas nó tas
Tão sem que com
Mo vi do que nem sei
Sei se não
Dó não sei ti
Sem ti
Não é
Fá tô
Nem aí.

'Arthur Parreiras e Marcos Assis 29/05/2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Iluminado

- Ei! Boa tardi!
Disse o louco com um sotaque abaianado.
Alegria com ar de "ei todo mundo!"
Tamanha felicidade
Só pode vir de um amor que é grande demais.
Maior até que o ser.

Essa intimidade com tudo
Chega a parecer consequência
Da loucura intermitente.
Do mundo insano que esse ser,
o que conhece a alma,
Vive.

A segurança do sorriso é tanta
Que se espantam, alguns,
E preferem repelir pra fingir que
Não sentem inveja.

Com o sinal de positivo digo:
- Bom dia ser-humano-louco-esclarecido!
E penso nos conhecimentos do ser
A habitarem aquela mente.
Imploro comigo mesmo uma dose daquela felicidade irresponsável.
Desse sentimento doado sem pudor algum.
E me dói viver sem tal sorriso constante.

Talvez um dia eu também encontre a luz;
Conheça as almas do mundo.
- ?
- É! Do mundo mesmo!
Quem sabe até cumprimentar qualquer pedra que cruze meu caminho:
- Ei! Boa tarde!
Com sotaque mineiro.